A construção desta usina teve como estratégia sua localização
geográfica para beneficiar a União Soviética, e além de oferecer energia para
cidades industriais e residenciais. A fabricação de bombas nucleares era o
aspecto mais sombrio da usina, já que o contexto geopolítico neste período
tornava indispensável à produção e a corrida armamentista entre duas potências:
EUA e URSS. Na segunda guerra mundial os EUA detonaram duas bombas atômicas nas
cidades japonesas de: Hiroshima e Nagasaki. Essa arma fez com que vários cientistas
soviéticos voltassem seu trabalho para a força do átomo, esse esforço
representava o orgulho tecnológico que uma sociedade socialista podia criar. Em
1942 a URSS deu início ao programa nuclear soviético, com seus engenheiros
apelidados de especialistas vermelhos pelos engenheiros ocidentais. Esses
cientistas soviéticos conheciam e dominavam o desenvolvimento e construção de
bombas nucleares, mas a questão das usinas estava atrasada em comparação ao
ocidente, já que a preocupação naquele momento era a produção do plutônio. A
construção de uma bomba nuclear que os soviéticos desejavam tinha como
principal combustível o plutônio, que pode ser produzido apenas artificialmente.
Era necessária a produção em grande escala para desenvolver
reatores específicos para fabricação deste elemento químico. Esse processo gera
energia térmica, antes de se pensar em usinas para produção de energia elétrica
esse calor resultante da transformação de urânio em plutônio causava dor de
cabeça aos pesquisadores. “A quantidade imensa de calor que produziam era tida
como inconveniente pelos projetistas” (HAWKES et al., 1986, p. 36). Os locais
de produção eram semelhantes às usinas nucleares, existindo barras de contenção
para controlar nêutrons, água ou gás, chamados de refrigerante, para a
refrigeração que se torna vapor, com os mesmos princípios de usinas
termoelétricas que utilizam o vapor para girar turbinas e produzir energia
elétrica, com algumas vantagens, e uma delas era em quantidade de combustível
utilizado. “A energia contida em um quilo de urânio utilizado em um reator,
quando liberada, equivale à fornecida pela quantidade de 3.000 toneladas de
carvão em usina convencional” (HAWKES et al., 1986, p. 34). A produção de
energia foi uma consequência das pesquisas para desenvolvimento de armas
nucleares, e isso aconteceu em todos os países que fizeram instalação e tais
usinas.
A
forma com que este projeto era visto pelo ocidente refere-se a mentalidade
discriminatória pelo regime adotado na URSS. Alguns pesquisadores como Michele
Lee e Oliver MacDonald examinaram a engenharia empregada na usina de Chernobyl.
Em entrevista concedida para revista New Left Review de maio/junho de 1986
esses pesquisadores não atacam a usina ou o projeto, mas explicam de forma
racional vários pontos que naquele momento ainda era uma dúvida: da evolução do
reator PWR para o modelo em questão, sendo bastante sofisticada exemplificando
a eficiência individual de cada tubo que armazena o combustível, de como é
fácil trabalhar com os bastões sendo retirados individualmente e os motivos, na
visão deles, para construção da usina (MEDVEDEV, 1987).
Examinando em fontes publicadas no período, que para outros
pesquisadores do assunto tudo não passou de mais um erro grotesco do sistema
comunista. É certo que a utilização do reator RBMK “Reactor Bolshoy Moshchnosty
Kanalny” (reator de canaletas de alta potência) devia-se a vários fatores,
tanto econômico, político e militar, mas sem dúvida os especialistas vermelhos
eram capazes de aplicar os conhecimentos matemáticos, técnicos e científicos na
criação de usinas assim como os engenheiros ocidentais.
Produzir plutônio era um orgulho para a engenharia da União
Soviética, sendo totalmente projetada pelos especialistas vermelhos e sendo
alimentado de urânio com menor índice de enriquecimento.
Para reduzir os riscos com o urânio, a maioria dos reatores
ocidentais esfriados com água usa urânio altamente enriquecido, a taxa de 3,5%.
Para economizar, os russos planejaram a usina de Chernobyl com reatores onde o
urânio está enriquecido a 1,8% e é guardado dentro de blocos de grafite. O
grafite é colocado em torno do urânio para manter a eficiência da operação
(REVISTA VEJA, 1986, p. 39).
A facilidade na troca do combustível feita por um guindaste sobre
trilho também foi fator importante para utilização deste modelo de reator, já
que não era necessário o desligamento total do reator, a queima não acontecia
de forma regular. O núcleo sofria maior deteorização se comparadas com as
extremidades, então era necessário fazer várias trocas, tornando este ponto do
sistema desfavorável. À medida que substituía as varetas era necessário fazer
perfurações enfraquecendo a tampa do reator. O tamanho do reator e a ponte
móvel impedia a construção de um vasilhame metálico de contenção que cobrisse
toda a estrutura (GROSS, 1987).
A única proteção era uma tampa de cimento que pesava em torno de
700 toneladas. Ainda assim esse modelo foi implementado em outros locais da
URSS, o que trazia a instabilidade do reator era ser operado em baixa potência
e os engenheiros soviéticos não tinham conhecimento até o acidente.
Discente:
Érida Cardoso Alecrim
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